Minha família me aceita desse jeito, mas quando pode, dá injeções de ânimo pra ver se eu melhoro: "Garota, mais um pouquinho tu nascia mongol!" [minha irmã carinhosa]; "Gente será que eu deixei você cair e não lembro?!" [mamãe], "Jesus, nenem, você é muito 'voada', minha filha!" [meu pai. Ele sempre começa as frases com Jesus, e nenem é meu apelido carinhoso.]
Fui uma criança saudável e feliz, só que do meu jeito, porque perdia em todos os piques [menos pique-esconde porque nesse o que manda é a astúcia e não a agilidade!]; na queimada só ficava no cemitério e protegia o rosto e o que desse com o braço quando a bola vinha; só gostava de parques de diversão pelo passeio, nunca pelos brinquedos; não apertava campainhas alheias e saia correndo; só aprendi andar de bicicleta com 10 anos; preferia a companhia da minha avó a de outras crianças e meu programa de TV predileto era "Em nome do amor" com o Silvio Santos, mas esta é consequência da preferência anterior.
Na adolescência escutava MPB FM, não sabia dançar e ia ao cinema sozinha, mas essas coisas são assim até hoje; só dei o primeiro beijo com 14 anos, não mentia pra minha mãe e adorava o Jô Soares.
No pré-vestibular só fiz uma amiga, que felizmente me acompanha até hoje [e assim será até sempre. Beijo, flor!]. Enquanto grupos enormes de vestibulandos se uniam para amenizar a dor do sábado perdido em rodinhas repletas de brincadeiras, farras, nós ficávamos em dupla no canto, rindo baixo até não poder mais dos elementos bizarros, elegendo os professores catos e resolvendo exercícios, sem fazer nenhuma questão de ampliar o círculo.
Na faculdade, caí como uma luva na turma mais anti-social de todas. Não lamento por isso.
Hoje, só queria ter a traquilidade de sair de casa com a certeza de que não vou me perder ou pegar o ônibus errado, de não ter o celular roubado por deixá-lo à mostra no

bolso externo da mochila, nem quebrá-lo por inúmeras vezes levantar procurando por ele, deixando-o cair no chão enquanto estava no meu colo o tempo todo; de não
depositar bilhetes de metrô em locais incorretos necessitando por isso da ajuda do guarda, nem deixar para trás a estação na qual deveria descer; ter a audácia de não comer sundae com calda de caramelo por não ter
coragem de dizer à atendente do Mc Donald's que o problema é dela se escutou errado, mas eu pedi morango! Ter a alegria de fazer em pelo menos 1h o que pessoas normais fazem em 15 minutos; de não sujar mais a roupa de pasta de dente quando estiver atrasada; e de comer pizza com o mínimo de independência, conseguindo abrir sozinha aqueles malditos sachêzinhos
de katchup.
Também queria jogar UNO com mais dignidade.
Mandar e-mails para os destinatários devidos, não trocando as mensagens.
Gostaria muito de comprar coisas, pagá-las e levá-las pra casa de modo a não esquecê-las no balcão.
Queria não queimar o arroz.
Algumas pessoas já me disseram que minha lerdeza é meu charme. Bem, eu gostaria de ser mais charmosa que isto. De qualquer forma, a gente vai tocando a vida com o que tem, mas se souberem de algum remédio, tratamento, fikdik, simpatia... eu aceito com humildade e gratidão.
7 meteram o bedelho:
Bom, acho justo ser o primeiro a comentar. Deixo, então, uma frase criada por mim após anos de experiência:
"Deus cuida dos lerdos."
Só assim pra gente não se matar ou provocar a terceira guerra mundial.
Nem preciso confirmar que me identifiquei muito com esse texto, menos com a parte da infância. Eu, por ser muito competitivo, fazia um esforço sobre-humano pra ser ágil nas brincadeiras e até lograva algum êxito. Mas fora do ambiente jogos/brincadeiras, eu era um lerdo perfeitamente normal, que chegou a ser levado pela mãe ao médico pra 'ver se tinha problema'.
No resto, mudem-se alguns nomes, e temos um retrato d'O Lerdo e de todos os lerdos neste planeta.
Estamos juntos nesta luta! Agora, com licença, vou dormir pois está tarde ^^
genial como sempre... quem me dera ter um pouco dessa 'lerdeza' e saber escrever um texto tao leve e engraçado falando de vc mesmo... é por isso que eu morro de saudades de vc... se pagasse dez centavos por cada riso que vc ja me proporcionou... vc seria a tia patinhas... nossa essa foi pessimo... mas é pra contrabalancear com o texto engraçado...
um abraço e nao se esqueça de me avisar sempre que atualizar...
Ai amiga,assim vc me mata de rir! Obrigada pela parte que me toca... E fica tranquila, me identifiquei com várias partes...eu ja esqueci de descer na estação certa pq estava distraída (ñ estava do
rmindo) e só prcebi 2 estações depois! rsrs
como "esperto" é meu segundo nome, apenas apreciei o post, ficando longe de qualquer identificação. tá, já passei da estação uma vez, mas era porque estava dormindo. acontece com qualquer pessoa cansada.
você esqueceu um acontecimento muito importante: passar pela carioca, contornar na cinelândia para se chegar ao fórum. mas eu entendo porque você queria ficar mais tempo comigo.
mas incrível como esse post é você em cada linha. e sim, isso te garante um charme irresistível. xD
ps: gente, o que é aquilo do lado?! um arraia chamada nietzche?! comofas?
Olha só, eu não ajudo mto, faço, no mínimo, metade das coisas daí. E pasme, não caí na turma mais anti-social, mas me dou benzão com as pessoas dela e ainda defendo, embora eu não tenha qualquer moral pra isso hahaha. Esse bichinho na sua página é tenso, hahaha. A lerda ficou um bom tempo tentando entender o q era, rs.
E, opa! Eu não ando d salto em Paraty, rs.
Epa, esqueci. Pra vc ficar melhorzinha: fui prum 15 anos este fds e a moça me parou na porta, eu entreguei o presente e ela perguntou: Tem identificação? Eu fui abrindo minha carteira e pegando minha identidade. Ela respondeu, assustada: Não, no presente!!!
Quer maior lerdeza q essa, hahaha.
O Lerdo: Lerdos de todo o mundo uni-vos!
Marco Medor: exagerado como sempre. Obrigada, mas tirando minha sacada genial da roupa do Homem-aranha, é vc quem proporciona riso na maioria das vezes.
Ana Paula: Flor! Que honra... é a primeira vez que comenta né?? Pq você é timidazinha do seu... ah deixa...
Nem vem que vc é espertona tá.
Jeff: Ok esperto! Já que sabia o lugar por que não foi desde o início? O post sou eu porque foi eu quem escreveu sobre mim, sacou? E sim, o Nietzsche é um arraia, mas diferente de todos os outros porque é extemporâneo.
Live: Quanta afinidade! Às vezes me pergunto se ficamos coleguinhas por isso, ou pela falta de gente que anda de chinelo naquela outra turma. Pode ter sido o conjunto né?!
Ah e parabéns, vc acaba de ganhar uma menção honrosa pela lerdeza colossal!
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