quinta-feira, 11 de março de 2010

Jiló

Férias são chatas e repetitivas. Fico louca pra que cheguem e aí não faço nada na primeira semana que foi feita 'pra descansar', só que aí o verso se repete 44 vezes pelas semanas seguintes. Na última semana, já estressada, exausta e esgotada por causa ócio excessivo, vou pra casa da minha mãe em busca de um ócio mais perfeito, mais puro.
Lá não vou à praia, nem a lugar nenhum... nem saio do quarto direito, na verdade. Só me entupo de dvd's, livros e jiló, adoro o jiló que minha mãe faz.
Dos filmes que vi, o que veio na cabeça agora foi "Gran Torino", filmaço! Meu pai adorou... [to começando a achar que meu pai é bom de filme!] e Colateral [é, não tinha visto] que aluguei por causa do livro 'Cinefilô' que é do que quero falar...
Na Flip do ano passado, quando li a programação no site, li o nome de O. Pourriol em algum lugar e uma sinopse de 'Cinefilô'... fiquei interessada na hora, mas como estava em período de aulas, não fui à Flip e só conheci o livro meses depois, quando entrei numa livraria e comprei de súbito.
A proposta é simples: ensinar filosofia através de filmes populares.
Até aí, muita coisa passa pela cabeça... "esse cara deve viajar", "X-men?", "Não é muita ousadia não?"... mas essas coisas se resolvem com a leitura do livro...
Em primeiro lugar, o Pourriol não ensina Filosofia assim, no geralzão, tem algo de geral, mas o livro é focado em Descartes e Spinoza, uma ou duas obras de cada, mais especificamente. Mas até que ele não se restringe somente a eles, dá uma viajada e cita Alain, que é a tese dele, Adorno e Horkheimer [que são dois cavalheiros separados, viu?!], Nietzsche, Foucault, entre outros...
Em segundo lugar, não são filmes populares, populares... são filmes com uma boa bilheteria. X-men tudo bem, mas 'Esse obscuro objeto do desejo', do Buñel, não é tããão popular assim, e Kathryn Bigelow até a noite do último domingo também não era lá uma mocinha de malhação no quesito popularidade. Ao menos não pra mim, não hoje. No geral são filmes bons. Alguns eu não tinha visto, outros eu não lembrava... putz! Highlander é velho pra cacete! X-man é bom mesmo, e eu sou a Vampira. Colateral é um filmaço. Beleza Americana é legal como eu sempre achei que fosse... e confesso que subestimei demais Matrix.
Mas a graça toda é que o autor não fica filosofando sobre os filmes. Ele apresenta, introduz a filosofia de Descartes, na primeira parte, e de Spinoza, na segunda, a partir dos filmes, que não seguem uma ordem muito explícita, ele vem e volta em títulos quando convém. Isso tudo com a tranquilidade de não "reduzir o cinema ao papel subalterno da filosofia ou, inversamente, de ter feito da filosofia um 'bônus' do cinema.". O resultado é muito legal. Ele não fica preso aos filmes, não é crítico de cinema, é professor de filosofia. Não está escrevendo sobre cinema [embora tenha umas sacadas geniais], está ensinando filosofia, e por vezes dá pra gente se sentir numa sala de aula mesmo. Uma sala de aula multimídia.
Pra mim, que só conhecia Descartes do plano cartesiano e d'O discurso do método; e Spinoza de alguns fragmentos avulsos usados na faculdade, o livro foi fabuloso. Vou lê-los o mais depressa possível. Embora ache que a linguagem 'pedagógica' de Pourriol tenha facilitado horrores, e isso me preocupa.
Levei uns 3 meses lendo o livro que nem é tão grande. Mas ele não tem nada de chato. Pelo contrário, é bonito, bem escrito, bem-humoradinho e emocionante, até.
Quando terminei, peguei logo outro, pra aproveitar o pique, "Admirável mundo novo" -Aldous Huxley e "Mulheres" - Bukowski, fiquei com o segundo. Depois eu conto.
Pra não matar ninguém de tédio com esse post que tá grande pra chuchu. Vamos falar um pouco de amor... Termino com um recurso audiovisual, um videozinho, da minha nova paixão virtual. Só clicar.



1 meteram o bedelho:

Live disse...

"'Esse obscuro objeto do desejo', do Buñel, não é tããão popular assim, e Kathryn Bigelow até a noite do último domingo também não era lá uma mocinha de malhação no quesito popularidade." (realmente, rs)

Sobre as férias, tem tanto tempo q não sinto este tédio, rs. Pq nunca consigo férias do trabalho e das outras 56565 atividades q quero chutar. Até q eu queria um pouco d tédio.

Não leio nda nas férias, só blogs, hahaha. (Tá...txts pra pesquisa e as benditas aulas q tenho q preparar).

Vou parar ou vamos acabar em lágrimas, haha. Quero fazer nda não. =O