Há cerca de 2 meses esta blogueira que vos fala entrou para a thurma do “vamos contar o Brasil, galere!” [Censo Demográfico 2010, para os íntimos]. Apesar de andar horrores atualizando mapas de ruas e aturando gente de cara feia dizendo “humpf! Isso é só mais uma maneira de arrancar dinheiro da gente, né não?”, estava satisfeita e feliz por ser durante 10 meses uma garota rica, linda e independente [não queiram saber quais os meus parâmetros para tais adjetivos].
Acontece que alegria é uma coisa passageira que só faz iludir a gente. Se liga só...
Estava eu em um dia comum de trabalho, nem sol demais, nem chovendo [tá, nem tão comum assim então, já que geralmente faz sol pra burro!], lápis e mapa na mão, borracha no bolso e crachá à mostra, começo a desbravar um lindo setor nos confins da Baixada Fluminense. Clima ameno, pessoas solícitas me dando ‘olá’ [cof cof], ruas com nomes divertidíssimos: ‘geraldinho’, ‘dona lindalva’, ‘cumbucas’, etc, quando sem esperar, me sobreveio um inseto preto, precipitando-se entre a folha de papel e meu rosto. Instintivamente estapeei-o, levantando a cabeça, o que me fez perceber que além dele, sua família composta por 8, 10, 15 membros, estava toda junta, fazendo o social. Meus olhos se esbugalharam pra valer e comecei a bater nos bichos com as coisas que tinha nas mãos. E a partir daí os fatos ganham alto nível de tensão. Prepare-se.
Como constatei que não estava adiantando bater neles, comecei a correr, e eles por sua vez, também [quer dizer, eu sei que insetos não correm, mas o que eu quero dizer mesmo é que eles vieram atrás de mim]. Senti algumas ferroadas que doeram pra cacete, mas não consegui pensar direito na dor, só conseguia pensar no Thomas, personagem do Macaulay Culkin no filme ‘Meu primeiro amor’, que morreu mordido por muitas abelhas do mal [sempre choro nesse filme]. Por sorte, uma birosca apareceu no meio do caminho por onde eu corria e tinha um senhor bebendo muitas cachaças, ele viu tudo e começou a bater nos bichos: “CALMA, MOÇA... DEIXA QUE EU PEGO ELES OH ACERTEI OTRO!” A dona do bar ficou atônita e dizia “Meu Deus! Tadinha! Pega aquele outro ali seu João! Perai minha filha que eu vou pegar um álcool pra vc...” e o moço: “Aproveita e abre o portão pra ela tirar a blusa aí dentro que tem monte de bicho que entro nas costa dela!” E Eu: “AHHHH AHHHH”
Quando o homem conseguiu matar todos eles, se bem que eu acho que alguns fugiram, e a mulher conseguiu abrir o portão, eu estava a-ca-ba-da. Suava em bicas, meu braço ardia que era uma coisa, minhas folhas e mapas se espalharam pela calçada e meu cabelo estava bagunçado (ah mais isso acho que não foi por causa do acontecimento não) e aí eu parei rapidinho pra fazer uma auto-análise das circunstâncias e constatei que riria muito, se conseguisse parar de chorar.
A mulher pegou uma garrafa de álcool e jogou quase toda em cima de mim... “passa bastante moça, passa bastante que esses troço pode até matar.”
oO
Quando tudo terminou, eu agradeci, pedi desculpas e fui embora. Mas estava muito descontrolada. Não conseguia parar de chorar e as pessoas ficaram me olhando na rua, e isso não é legal. Foi quando constatei que precisava dividir aquilo com alguém. Pensei nas pessoas mais inusitadas, do meu chefe ao Instituto Oswaldo Cruz e finalmente, optei pela minha mãe.
Vamo lá: 90[claro que liguei a cobrar]31[que é mais barato]24 [que é o código da cidade onde ela mora] xxxx-xxxx [não achou que eu ia falar o tel da minha mãe NE?!]
Ela atendeu e eu falei tudo soluçando... ela não entendeu nada e me mandou repetir umas 100 vezes, quando por fim entendeu e disse: “CALMA, CALMA [num tom nada calmo] Vai ao médico porque dependendo do bicho pode ser perigoso, mas fica calma... Eu sabia que essa palhaçada de morar longe de mim não ia dar certo! Quando que você vai perceber isso hein?!”
Incrível! Minha mãe é fera! Em qualquer lugar, horário, momento, razão e circunstância, ela consegue brigar comigo!
Não satisfeita, liguei pra minha amiga, que é hipocondríaca e ia entender meu drama e pedi pra ela ir ao médico comigo. Ela acionou a família e todos vieram me buscar. Enquanto esperava, minha irmã ligou do trabalho a-pa-vo-ra-da me mandando ir pra casa imediatamente que meu cunhado já estava à minha espera pra me levar ao pronto socorro. Liguei pra minha amiga desmarcando com os pais dela e fui para casa.
Chegando em casa, meu cunhado me esperava no portão, foi quando um súbito momento de racionalidade me veio e eu percebi que estava fazendo uma grande presepada. Despachei meu cunhado, dizendo que já tinha melhorado; tomei banho; averiguei os estragos, que foram consideráveis: dois calombos enormes, vermelhos e ardidos no braço esquerdo e um nas costas [era verdade sim, o velho não tava querendo me ver sem blusa]; e liguei para todas as pessoas que incomodei , me retratando devidamente, além do meu chefe, pra contar o ocorrido e justificar o dia de trabalho perdido. Ele riu bastante e disse que amanhã vai comigo ao setor pra matar os bichos enquanto eu anoto as coisas. Levaremos aquela raquete elétrica genocida.
Com tudo isso eu aprendi que por mais que as coisas da vida nos façam chorar, a gente não deve se deixar mover pelas emoções. Tente ficar calmo quando alguma coisa te perturbar, principalmente se forem insetos que você não sabe o nome.
P.S.: Eu acho que o nome deles era ‘marimbondos’.
7 meteram o bedelho:
hahaha, tadinha... Vá trabalhar armada agora, pra evitar esses infortúnios xD
hahahahahahahahaha to rindo muito aqui...
Eu não consigo imaginar outra pessoa para acontecer isso... só vc mesmo Dari.
Cara, tem coisas que são a sua cara. Como bem disse a Ariane. tem coisas que so acontecem com voce. Amiga, fica assim, nao. Pelo menos vc ja sabe que seu organismo é resistente e sua pele melaminosa.
Léo Deep Oliveira
huahuahuahuauh como eu ri
Uma vez um marimbondo vampiro me picou no pescoço. Só me lembro de na hora ter ficado tudo escuro por mais ou menos 0,02 milésimos de segundo, pra depois eu sentir uma dor que não é legal de sentir. Portanto, eu sei que o que você passou foi difícil. Mas, como disse seu amigo aí de cima, você já pode comemorar, de choque anafilático provocado por picadas de marimbondos você não morre. Mas deveria ter ido a um pronto-socorro, pelo menos.
P.S.: esses assuntos sempre me fazem lembrar do Macaulay Culkin também xD
hahaha
quando você me contou, eu fiquei com muita, muita vontade de rir, apesar de não questionar a informação da mulher de que eles podem matar.
mas, baby, do seu choro, do risco de vida e do sufoco, o episódio não deixa de ser extremamente engraçado. xD
P.S.: esses assuntos sempre me fazem lembrar do Macaulay Culkin também xD [3]
Hahahahaha!
Hahahahahahahahahahahaaha...peraê: Hahahahahahahahahahahahahahahahahaha!Putz grilo!
"Com tudo isso eu aprendi que por mais que as coisas da vida nos façam chorar, a gente não deve se deixar mover pelas emoções." Q bonito, agora use uns códigos do Paulo Coelho e fique famosa, rs!
Falando sério agora: Q desespero!!!
Muito bom...
Isso é que é "mau-censo"
Obrigado pela leitura.
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