terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cinderela travessa

Não sei se já disse aqui o quanto minha sobrinha Luiza é perfeita. Com 3 anos recém-completados ela é mega inteligente, linda, não troca o R pelo L como é comum em quase todas as crianças dessa idade, me faz rir horrores com as performances artísticas de autoria própria que misturam canto, dança e artes cênicas na mesma apresentação. Ela é, na minha opinião, uma das coisas mais legais que minha querida irmã do meio já fez na vida.
Mas apesar da minha corujísse típica, a Luiza é uma criança normal e faz todo tipo de coisa que as crianças da idade dela costumam fazer, como inventar histórias, por exemplo.
Ela tem um apreço imenso por essa atividade, e à noite, na cama, enquanto meu cunhado implora pra irem dormir ela diz: peraí papai, deixa eu contar mais uma história pra você. E fica lá por horas, envolta em princesas, castelos, crianças, Duda, tia Lu, menino-que-mordeu-o-coleguinha-e-foi-pro-castigo...
Da última vez que ela veio aqui em casa, contou várias histórias pra mim e enquanto fazia isso eu tive uma ideia! Se liga...
Ela tem leves desavenças com o irmão de 10 meses, Gustavo, mais conhecido como "o gostoso". Vira e mexe ela aperta o bracinho curto dele, dá cascudos naquela cabecinha tão bonitinha e uma vez chegou a morder a pobre criança. Os pais desesperados, já tentaram tudo: conversa, cantinho da disciplina, psicólogo, falar sério e alto e em casos extremos uma leve sacudidela na danada. Mas nada...
Aí a tia espertona aqui resolveu usar de uma estratégia pedagógica e exemplar: fazer a Luiza provar do próprio veneno, usando as histórias dela como lição pra deixar em paz o Gustavo gostoso.
Na noite aqui em casa, quando ela terminou de me contar as histórias, eu pedi pra contar uma e fui inventando uma trama em que a personagem principal: princesa Luiza, tinha problemas familiares com seu irmão, príncipe Gustavo e no final de tudo eles só foram felizes para sempre quando ela deixou de perturbar o pobre príncipe.
A criatura ficou me olhando com os olhos culpados desde a primeira fala, mas não pronunciou palavra que comprovasse semelhança com a vida real [que não era mera coincidência].
Passadas duas semanas, minha irmã ligou pra mim informando as novidades no front.
A Luíza chegou pra minha mãe com seu jeito safadíssimo de ser e falou: vovó vou contar uma história.
-É filha? Conta.
-Era uma vez a cinderela que foi no shopping.
-Lá no shopping ela começou a fazer pirraça e gritou muito: eu quero chocolate, eu quero brinquedo.
Aí o pai dela, o rei, falou: Cêga de vergonha, vamos embora!
E levou a cinderela embora.

Era a história do sábado à noite.

Minha pedagogia não deu certo. Ou não tão certo quanto eu gostaria.
A Luiza continua acabando com a carreira do irmão menor.
Mas pelo menos agora tem uma nova técnica de invenção de histórias.
E agora uma notícia me conforta: O Gustavo mais maduro, com quase um ano, já está reagindo aos abusos fraternos e aprendeu que aqueles cachos de cabelo presos na cabeça da irmã doem a beça se forem puxados com força.

1 meteram o bedelho:

Patrícia de Assis disse...

Ela não é sua sobrinha! Mto sagaz! haha