sábado, 2 de outubro de 2010

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Terminei hoje de ler a biografia Clarice, do norteamericano Benjamin Moser e classifico-o como o meu mais novo livro predileto.
Conheci o livro na ultima Flip, quando ouvi Moser falar de sua experiência ao escrevê-lo. Embora inesperado, este foi pra mim o melhor momento da festa.
Folheando a programação, meus amigos e eu resolvemos pegar a senha gratuita para o 'jogo de ideias' que aconteceria às 18h daquele sábado tão feliz.
Benjamin além de muito simpático é lindo. Tem uma elegância sabe? Um ar de intelectual com aqueles óculos grandes e toda aquela altura desajeitada... Fiquei encantada.
Desprovida de recursos financeiros [dura], não pude comprar o livro na hora para ele autografar. Uma pena. Entretanto, há menos de um mês daquele sábado, ganhei Clarice, de presente de aniversário. Só não digo que foi o melhor dos presentes porque seria injusto com a miniatura do Pequeno Príncipe no B612 que ganhei de alguém muito querido. Mas ambos foram sensacionais, de verdade.
Comecei a lê-lo imediatamente, e o catatau de quinhentas e tantas páginas foi prazeroso do início ao fim, embora doloroso. Mas "a dor no fundo esconde uma pontinha de prazer", nós sabemos.
Clarice Lispector é uma das figuras mais incríveis e geniais que já ouvi falar.
Sua vida íntima retratada no livro a torna encantadora e sobretudo assustadora.
Fiquei feliz pela forma como o livro foi construído, combinando reflexões sobre a obra de Clarice, a contextualização político-social de cada momento importante em sua vida, e é claro, as curiosidades que constituíram essa pessoa tão marcante. Acho que é disso que é feito uma boa biografia.
As cartas ininterruptamente citadas no livro nos causam tanto fascínio que comprar "Correspondências - Clarice" é praticamente uma imposição ao terminar a leitura.
A obra Perto do coração selvagem é tratada de uma forma excepcional. Talvez por ser meu livro preferido dela eu tenha inconscientemente prestado maior atenção, mas é inegável a sensibilidade e entusiasmo que Moser despende ao tratar do livro.
As incursões de informações históricas dão um toque especial à obra, confirmando a inteligência e o cuidado que o autor dispunha para a sua produção. A escrita é simples, mas muito elegante.
E saber dos eventos tumultuados da vida de Clarice Lispector ajudaram muito a entender sua obra, que em todo momento é tão biográfica, tão autoral. Sua paixão quase eterna por Lúcio Cardoso, um homossexual, sua incapacidade de lidar com a esquizofrenia do filho Pedro, embora ser mãe fosse tão fundamental para ela. Sua dependência, seus vícios, sua solidão. Suas glórias e angústias cotidianas que construíram as Joanas, as Lídias, as Ângelas, as Lóris, as Lauras, as Macabéas... tão caras à autora.
Com o livro eu sorri, chorei, sonhei, sonhei mesmo... noites inteiras, alguns sonhos foram assustadores até, e sobretudo, senti.
Sem dúvidas uma grande obra, à altura de uma grande mulher.
Leiam, leiam e leiam!

"Por que não se entregar ao mundo, mesmo sem compreendê-lo? Individualmente é absurdo procurar a solução. Ela se encontra misturada aos séculos, a todos os homens, a toda a natureza. E até o teu maior ídolo em literatura ou em ciência nada mais fez do que acrescentar cegamente + um dado ao problema. Outra coisa: o que você, você individualmente, faria de especial se não houvesse a ruindade no mundo? A ausência dela seria o ideal para todos os homens, em conjunto: Para um só, não bastaria."
[trecho de uma carta ao futuro marido Maury Gurgel Valente]

2 meteram o bedelho:

O Lerdo disse...

Só li A Hora da Estrela da Clarice, e gostei. Ela é muito melancólica e desencantada. Conseguiu expressar o vazio existencial soberbamente. Não sei por que não li outras obras. Acho que por preguiça mesmo hehehe

P.S.: Que mané "norte-americano"?! Se eu te ouvir falando "estadunidense", paro contigo. Ó-ká? auhhuahuahua #chatopracaramba

Dari disse...

Também adoro a hora da estrela, Léo. Mas leia os outros... Não vai se arrepender. Vamos ler um ao mesmo tempo pra gente fazer tipo um debate depois? xD A paixão segundo GH, partiu?
Quanto ao adjetivo pátrio do Moser o que posso eu fazer? É difícil falar do povo sem nome... O que sugere? Que eu diga 'texano', destacando o caráter federalista da nação?

[pausa para mudar de assunto]

maravilha de eleições hein?!